10 autores e intelectuais negros para entender o presente

Com informações do Estudar Fora

Pela primeira vez, o número de estudantes negros e pardos nas universidades públicas brasileiras ultrapassou o de brancos, segundo pesquisa do IBGE. Porém, poucos autores negros e negras entram nas bibliografias dos cursos universitários. Confira autores e pensadores negros essenciais para entender o presente:

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Lélia Gonzalez

A antropóloga e socióloga Lélia Gonzalez teve grande importância na estruturação do movimento negro brasileiro ao longo da segunda metade do século XX. Foi uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado, oficializado nacionalmente em 1978, e militou por organizações como o Instituto de Pesquisa de Culturas Negras e o Coletivo de Mulheres Negras N’Zinga. Também atuou no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher de 1985 a 1989. Com sua pesquisa e militância, ajudou a melhorar a compreensão sobre a condição das mulheres negras no Brasil e a lutar pelos direitos delas.

bell hooks

Autora de títulos, como Tudo sobre o amor O feminismo é para todos, bell hooks dá uma aula de como abordar temas difíceis de forma inteligente e sensível. Se consolidou como uma das principais defensoras da noção de feminismo como o fim da opressão e exploração baseada em gênero. Ela também é uma das principais responsáveis pelo entendimento do papel que a representação distorcida de negros na mídia cumpre na perpetuação de pensamentos e atitudes racistas.

Ver a imagem de origemAchille Mbembe

Nascido em Camarões, Mbembe é considerado um dos pensadores mais relevantes da atualidade e trabalha como professor do instituto W.E.B. Dubois em Harvard. Os temas estudados por ele são a histórica da África, o pós-colonialismo e seu impacto nas relações de poder contemporâneas. Ele é conhecido por estabelecer o conceito de “necropolítica”, que entende a morte como exercício final de dominação do poder estatal, e que expande as noções de biopoder estabelecidas por Foucault.

Angela Davis

Tornou-se conhecida  por sua atuação junto aos Panteras Negras nos Estados Unidos entre as décadas de 60 e 70. Seu ativismo é embasado numa trajetória intelectual de excelência: ela foi uma das três alunas negras da Brandeis University, onde fez sua graduação, e depois tornou-se aluna do filósofo Herbert Marcuse nas universidades de Frankfurt e California, San Diego. Já publicou mais de 10 livros sobre temas como feminismo e a luta de classes vista da perspectiva racial.

Frantz Fanon

Nascido em 1925 na Martinica, ilha caribenha colônia francesa, Frantz Fanon publicou o livro Peles Negras, Máscaras Brancas, em que descreveu os efeitos psicológicos negativos da dominação colonial sobre os povos negros. Foi um dos primeiros pensadores negros a descrever o racismo como um procedimento por meio do qual se nega a humanidade das vítimas, e a falar sobre seus efeitos sobre a psique tanto de quem sofre quanto de quem comete racismo. Seu trabalho foi fundamental na luta pela libertação da Algéria, que também era colônia da França na época.

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Chimamanda Ngozi Adichie

A nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie é mais conhecida por seus romances, porém também tem uma trajetória acadêmica muito respeitável.  Tanto em seus romances quanto em seus ensaios, os principais temas que aborda são o feminismo e a identidade do continente africano. Ela é a responsável por um dos “TED Talks” mais vistos da história, intitulado “O perigo de uma história única”, no qual ela fala sobre a ausência de referências positivas sobre a África no Ocidente.

Milton Santos

O geógrafo brasileiro Milton Santos nasceu em 1926, formou-se em Direito na Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 1948 e fez doutorado na Universidade de Estrasburgo, na França, entre 1956 e 1958. É reconhecido como um dos principais pensadores negros do mundo. Entre as contribuições de Milton Santos para a geografia contemporânea se destacam as pesquisas sobre as economias de “terceiro mundo” e sobre o subdesenvolvimento. Ele também é reconhecido como um dos grandes críticos do conceito de “globalização”, que enxerga como um processo produtor de novos totalitarismos, um eliminador de culturas e um transformador de “cidadãos” em “consumidores”.

Neil deGrasse Tyson

O astrofísico Neil deGrasse Tyson ficou mais conhecido como educador e divulgador científico. Frequentemente participa de palestras e programas de TV para falar de maneira clara e simples sobre questões científicas complecas e, em 2014, apresentou a série Cosmos, uma continuação da produção apresentada por Carl Sagan na década de 80.

Sueli Carneiro

Sueli Carneiro é fundadora do Geledés — Instituto da Mulher Negra e começou sua trajetória acadêmica estudando Filosofia na Universidade de São Paulo em 1971. Autora de mais de 150 artigos e 17 livros, ela teve seu trabalho reconhecido com o Prêmio de Direitos Humanos da República Francesa em 1998. Sua área de pesquisa é a estruturação do racismo no Brasil e o feminismo negro. Em seus textos, analisa os processos sociais por meio dos quais negros e negras são, com frequência, relegados a posições menos privilegiadas.

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Silvio de Almeida

Advogado, jurista e filósofo brasileiro, Silvio de Almeida é autor do livro Racismo Estrutural, no qual examina como as relações raciais serviram de base de sustentação para todas as instituições da sociedade. Também tem pesquisas nas vertentes do ativismo judicial e o poder do Estado.

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