Conheça Mãe Menininha do Gantois, símbolo da luta contra a intolerância religiosa

Em 10 de fevereiro de 1894 nascia a Yalorixá Mãe Menininha do Gantois, ícone da luta contra a intolerância religiosa, em Salvador (BA). Ela é considerada a grande mãe-de-santo do candomblé no Brasil.

Seu nome era Maria Escolástica da Conceição Nazaré e o apelido Menininha foi dado por sua avó. Descendente de escravos africanos, ainda criança foi escolhida para ser Iyálorixá no terreiro Ilê Iyá Omi Axé Iyamassê, fundado em 1849 por sua bisavó, Maria Júlia da Conceição Nazaré, cujos pais eram originários de Agbeokuta, sudoeste da Nigéria.

Tornou-se a quarta das Iyálorixá do Terreiro do Gantois, que assumiu aos 28 anos. Foi uma das principais articuladoras do término das restrições a cultos impostas pela Lei de Jogos e Costumes de 1930, que condicionava a realização de rituais à autorização policial e limitava o horário de término dos rituais às 22 horas.

Só em 1976 o governador da Bahia, Roberto Santos, sancionou um decreto que liberava as casas de candomblé da obtenção de licença e do pagamento de taxas à delegacia de Jogos e Costumes.

Turistas, políticos, artistas e intelectuais a procuravam em busca de conselhos, orientações ou informações para suas pesquisas. Chegou até a ser protagonista da composição “Oração a Mãe Menininha”, de Dorival Caymmi.

Símbolo da luta pela aceitação do candomblé pela cultura dominante, Mãe Menininha abriu as portas do Gantois aos brancos e católicos. Nunca deixou de assistir às celebrações de missa e convenceu os bispos baianos a permitirem a entrada de mulheres – inclusive ela – vestidas com as roupas tradicionais das religiões de matriz africana nas igrejas.

A Iyálorixá faleceu de causas naturais, aos 92 anos de idade, em 13 de agosto de 1986.

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