Dia da Consciência Negra: personalidades negras que fizeram a diferença na história

A história dos negros é mundialmente uma história de lutas. No Brasil, a resistência contra a escravidão e a luta contra as heranças desse tempo como o preconceito, as segregações, a violência e a discriminação são algumas das bandeiras que o movimento negro defende. Políticos, cantores, atores, artistas, atletas, escritores e mais foram os ativistas que ajudaram na luta pela inserção social dos negros. Por isso, neste Dia da Consciência Negra, celebrado neste sábado 20 de novembro, reunimos algumas personalidades das mais variadas gerações que contribuíram de forma significativa para a diminuição da desigualdade racial do país.

Zumbi dos Palmares

É por causa dele que no dia 20 de novembro é comemorado no Brasil o dia da Consciência Negra. Zumbi é o ícone da resistência negra à escravidão no Brasil. Último líder do Quilombo dos Palmares, na região da Capitania de Pernambuco, ele era responsável por uma comunidade formada por escravos negros que haviam escapado das fazendas, prisões e senzalas coloniais. Zumbi, depois de dar muita dor de cabeça aos portugueses, foi morto em 20 de novembro de 1696 e teve sua cabeça exposta no estado de Pernambuco para acabar com o mito da sua imortalidade.

Machado de Assis

Joaquim Maria Machado de Assis foi outro brasileiro que superou o racismo e se tornou um dos maiores nomes da literatura nacional, sendo, inclusive, fundador da Academia Brasileira de Letras. Machado de Assis mal frequentou escolas e, superando as dificuldades, conseguiu ascender socialmente. Vivendo no contexto de difusão do ceticismo e das teorias sociais de que os negros seriam atrasados e inferiores aos brancos, ele conseguiu comprovar que a capacidade não está na cor, mas no intelecto. Além disso, através de sua atuação na administração pública, lutou contra a escravidão, buscando alargar a Lei do Ventre Livre, de 1871, para que ela, de fato, conseguisse beneficiar os escravos.

Aleijadinho

Ícone do barroco brasileiro, Antônio Francisco Lisboa foi um importante escultor, entalhador e arquiteto do Brasil colonial. Durante o ciclo do ouro em Minas Gerais, Aleijadinho produziu suas obras especialmente em igrejas com o patrocínio de uma elite urbana. Suas obras se inseriam no contexto da época: a Igreja Católica passava pelo momento de contrarreforma e foi nesse período que os jesuítas foram enviados ao Brasil para catequizar a população. Sendo assim, a produção das obras sacras contribuíram para reforçar a religiosidade. Através da arte, ele conseguiu projeção numa sociedade escravista, apesar de sua cor.

Tia Ciata

Hilária Batista de Almeida, a tia Ciata, foi muito importante para a difusão e afirmação da cultura afrodescendente no início do século XX. Estabelecida na Praça Onze, zona portuária do Rio de Janeiro, essa região ganhou o nome de Pequena África porque reunia os ex-escravos e os negros vindos da Bahia que moravam nos morros próximos ao centro da cidade. Lá, eles faziam festas aos orixás, já que tia Ciata era uma mãe de santo muito respeitada, cantavam e tocavam samba, difundindo a música. Os célebres Pixinguinha, Donga, Heitor dos Prazeres e João da Baiana eram alguns dos frequentadores da região.

Dandara

Mulher negra, Dandara foi uma das líderes femininas na luta contra a escravidão durante o século XVII. Ela vivia no Quilombo dos Palmares, em Alagoas, no Nordeste do Brasil, com seu marido, Zumbi, e seus três filhos. Ajudava o símbolo de resistência dos negros em suas táticas de guerra contra aqueles que queriam invadir os quilombos, que eram os refúgios de negros que conseguiam escapar de seus senhores opressores, racistas e escravistas. Foi presa em 1694 e se matou para não voltar à condição de escrava.

Carolina de Jesus

Carolina de Jesus foi uma escritora, compositora e poetisa brasileira, e ficou conhecida por seu livro “Quarto de Desejo: Diário de uma favelada”. Ela foi uma das primeiras escritoras negras do Brasil e é lembrada também como uma forte figura do feminismo negro.

Grande Otelo

O ator Grande Otelo foi um dos maiores das artes cênicas brasileira no século XX. Os seus trabalhos, especialmente com Oscarito, fizeram muito sucesso no cinema. Sebastião Bernardes de Souza Prata nasceu em Minas Gerais e começou a representar nas festas populares. Ele protagonizou um marco importante: os negros não podiam entrar pela porta da frente nos cassinos, esse evento só foi superado depois que Grande Otelo foi contratado para atuar em um deles.

Elza Soares

Conhecida pela voz rouca, Elza Soares é uma das maiores cantoras do Brasil apesar da dura história de vida que teve. Ela fez o primeiro teste para a Rádio Tupi em 1953, no show de calouros do famoso Ary Barroso, e ficou em primeiro lugar. A cantora atuou na Orquestra Garam Bailes, na Rádio Vera Cruz, participou do Festival Nacional da Bossa Nova e foi representante do Brasil na copa do mundo do Chile. A BBC elegeu em 2000 Elza Soares como a melhor cantora do universo.

Gilberto Gil

Cantor, músico, instrumentista e ministro da cultura, Gilberto Gil foi importante de muitas formas para o Brasil. Em 1963 conheceu outros jovens talentosos: Caetano Veloso, Maria Bethânia, Tom Zé e Gal Costa. Juntos, revolucionários, criaram o Movimento Tropicalista. Gilberto Gil participou dos históricos Festivais da Canção e foi um contestador dentro da sua geração. Com a ditadura, em 1969, foi obrigado a se exilar e só retornou ao Brasil em 1972. Na política, Gil trabalhou como vereador na Câmara Municipal de Salvador (1989-1992) e em 2003 foi nomeado para Ministro da Cultura (2003-2008). Em 2021 foi o eleito para ocupar a cadeira 20 da Academia Brasileira de Letras.

Conceição Evaristo

A escritora e professora Conceição Evaristo é um dos maiores nomes da literatura brasileira contemporânea e é uma das grandes ativistas do movimento negro. As suas publicações vão desde poemas, ensaios e até mesmo ficção. Formada em Letras, Conceição fez Mestrado e Doutorado e deu aulas em escolas e na Universidade. Em 2018 ganhou o Prêmio de Literatura do Governo de Minas Gerais.

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