Olimpíada de Tóquio: relembre a participação negra na história e os atletas que fizeram diferença

Nesta sexta-feira, dia 23, teve início a 32ª edição da Olimpíada de verão, que acontece em Tóquio, no Japão, depois do adiamento de um ano por causa da pandemia da covid-19 e ameaças de cancelamento. A cerimônia de abertura aconteceu no Estádio Olímpico de Tóquio, palco principal dos jogos de 1964, quando a cidade recebeu o evento pela primeira vez.

De acordo com o Comitê Olímpico Brasileiro, a delegação do país para os Jogos Olímpicos de Tóquio tem um número recorde em edições no exterior: são 302 atletas do Brasil inscritos para participar de 34 das 46 modalidades das Olimpíadas, superando os 277 de Pequim 2008.

A força negra na história das Olimpíadas

Hoje é comum ver negros como destaques nos Jogos Olímpicos. Casos como de Usain Bolt, Simone Biles, Daiane dos Santos, Kobe Bryant, Marta, Serena Williams, Ketleyn Quadros… apenas para citar alguns mais recentes. Mas nem sempre foi assim. Nos primórdios das Olimpíadas, o esporte era só para brancos e ricos. Aos poucos, no entanto, afrodescentes pioneiros como John Taylor, William Hubbard, Jesse Owens, Wilma Rudolph, Adebe Bikila, Cassius Clay e Adhemar Ferreira da Silva, entre outros, foram os responsáveis por mudar essa história.

Foi em Londres-1908 que surgiu o primeiro negro campeão olímpico. Especialista nos 400 m rasos, John Taylor ganhou a medalha de ouro no revezamento misto. Mas Taylor era exceção numa época em que esporte era ainda coisa de branco. Um campeão olímpico negro numa prova individual levou mais 16 anos para acontecer. O autor do feito foi William Hubbard no salto em distância em Paris-1924.

Para se ter uma ideia, as provas de velocidade, hoje completamente dominadas por negros, só foi vencida pela primeira vez por uma atleta da etnia em Los Angeles-1932. Eddie Tolan dominou completamente as provas de 100 m e 200 m rasos, conquistando a medalha de ouro em ambas.

A sacramentação dessa força em provas de velocidade veio em Berlim-1936, quando Jesse Owens faturou quatro medalhas de ouro ao ganhar os 100 m e os 200 m rasos, além do revezamento 4 x 100 m e o salto em distância, derrubando a teoria da supremacia ariana de Adolf Hitler, país-sede daquela edição.

Atletas que entraram para história no combate ao racismo

O esporte é uma ferramenta importante no combate à discriminação. Esses atletas negros inspiraram milhões nessa luta:

Jesse Owens

O velocista norte-americano foi o primeiro atleta na história a vencer quatro ouros numa mesma Olimpíada. Mas isso não aconteceu em uma edição qualquer de Jogos Olímpicos, mas sim nos Jogos de 1936, em Berlim, dentro da Alemanha Nazista, diante de Adolf Hitler. O atleta chocou não só alemães, mas também os americanos, que à época viviam sob fortes leis segregacionistas.

Tommie Smith e John Carlos

Em 1968, no auge da luta racial nos Estados Unidos, Malcolm X havia sido assassinado há três anos e Martin Luther King meses antes dos Jogos Olímpicos da Cidade do México. O americano Tommie Smith venceu os 200 metros rasos, sendo o primeiro atleta a correr abaixo dos 20 segundos, e John Carlos ficou com o bronze na mesma prova. No pódio, ao invés de olharem para a bandeira e cantarem o hino, os atletas abaixaram a cabeça e ergueram o punho fechado, sinal do Movimento dos Panteras Negras, organização criada para combater a violência policial nos bairros negros. Mais de 40 anos depois, essa ainda é uma das imagens mais emblemáticas da história do esporte.

Aída dos Santos

O Brasil também aparece nessa história, é claro! Aída dos Santos era negra, pobre, moradora da comunidade Morro do Arroz, em Niterói, e foi a única mulher na delegação brasileira e única do atletismo nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964. É, portanto, uma pioneira. Não tinha treinador, não tinha uniforme e nem material para competir. Apesar disso, se classificou para a final e terminou na quarta colocação do salto em altura, sendo a melhor colocação de uma mulher brasileira em uma prova individual da Olimpíada até o ouro de Maurren Maggi em 2008. Aída ainda disputou os Jogos de 1968, na Cidade do México, desta vez no pentatlo. Ela é mãe de Valeskinha, que conquistou o ouro em Pequim-2008 com a seleção feminina de vôlei.

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