Querem calar Marina. Querem calar todas as mulheres negras

O que aconteceu com a ministra Marina Silva no Senado Federal não pode ser tratado como um episódio isolado. Primeiro, ela foi repetidamente interrompida e desrespeitada por parlamentares, inclusive com a absurda frase: “A mulher merece respeito, a ministra não.” Mais tarde, o mesmo senador, Plínio Valério, ousou dizer que sentia vontade de “enforcá-la”.

Essas palavras carregam séculos de opressão. E, vindas de um homem branco, dita a uma mulher negra, em um espaço de poder, ecoam como o grito de um passado que insiste em não passar. É racismo. É misoginia. É violência política. É inaceitável.

Marina Silva é uma das líderes mais respeitadas do planeta, uma referência de ética, de compromisso com a vida, com o meio ambiente e com o povo brasileiro. E mesmo com essa trajetória, ela ainda precisa se retirar de uma sessão do Senado para não ser alvo de mais humilhação. Imaginem quantas outras mulheres negras sequer conseguem entrar nesses espaços.

Como reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, instituição que há 20 anos luta por justiça e inclusão, eu digo: não basta indignação. É preciso ação. A representação apresentada ao Conselho de Ética precisa resultar em punição exemplar. Mas também é urgente uma mudança cultural. Precisamos reeducar o poder — para que ele deixe de ser arma de exclusão e passe a ser instrumento de justiça.

Querem calar Marina. Mas não vão. Porque quando tocam nela, despertam todas as vozes que se levantam por um Brasil mais justo, mais plural e mais humano. E a nossa voz, podem ter certeza, será cada vez mais alta.

José Vicente
Reitor da Universidade Zumbi dos Palmares

Compartilhe
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp