Confira os dados e insights da pesquisa

Relatório revela o avanço da letalidade policial contra a população negra no Brasil

Letalidade policial contra a população negra aumenta.

A Universidade Zumbi dos Palmares manifesta profunda preocupação diante dos dados revelados pelo relatório Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã, divulgado em 1º de julho pela Rede de Observatórios da Segurança. O levantamento mostra que, entre os casos com informação de raça/cor, 86,3% das vítimas de mortes por intervenção policial em 2025 eram pessoas negras.

Mais do que um número alarmante, o dado escancara uma realidade que a população negra denuncia há décadas: no Brasil, a violência de Estado não atinge todos da mesma forma. Ela tem alvo, território e cor.

Em nove estados — Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo — foram 4.330 vidas ceifadas pelo Estado, um aumento de 6,4% em relação a 2024. O relatório aponta ainda que, enquanto os indicadores gerais de violência recuam, a letalidade policial segue crescendo sobre corpos negros, jovens e periféricos.

Os dados desmontam um discurso perigoso e recorrente: o de que a desproporção nas mortes seria explicada por um suposto “perfil criminal” da população negra. Não é isso que os números mostram. O que eles revelam é o funcionamento de uma lógica racializada de suspeição, abordagem e uso da força, em que a população negra continua sendo tratada como alvo preferencial da violência.

Outro dado grave apresentado pelo relatório é o apagamento estatístico. Em estados como Ceará e Maranhão, mais da metade das vítimas sequer teve a raça/cor registrada. A ausência dessa informação não é um detalhe burocrático: ela dificulta a responsabilização, enfraquece o controle social e contribui para a invisibilização da violência sofrida pela população negra.

Diante desse cenário, a Universidade Zumbi dos Palmares reafirma que não há democracia plena em um país onde a política de segurança pública segue produzindo luto, medo e morte de forma seletiva. Defender a vida da população negra é defender direitos humanos, justiça social e o próprio futuro do país.

Mais do que denunciar os dados, é preciso enfrentar o racismo institucional que sustenta esse modelo. Isso exige transparência, responsabilização, produção qualificada de dados e políticas públicas comprometidas com a redução da letalidade policial.

A Universidade Zumbi dos Palmares se soma às vozes que recusam a naturalização dessa violência e reforça seu compromisso histórico com a defesa da vida, da dignidade e dos direitos da população negra brasileira.

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