Por José Vicente – Reitor da Universidade Zumbi dos Palmares
A denúncia feita pela ministra Vera Lúcia Santana Araújo, barrada em um evento oficial mesmo sendo integrante do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é mais do que um caso isolado. É a comprovação de que o racismo estrutural segue operando nos corredores da institucionalidade brasileira, mesmo nos espaços mais altos da República.
Vera Lúcia é apenas a segunda mulher negra a ocupar uma cadeira no TSE, uma instância vital para o funcionamento da nossa democracia. Sua trajetória é marcada pela excelência, pela competência e pela luta contínua por justiça social. E mesmo com todo esse peso institucional, sua presença foi questionada, sua legitimidade foi posta em dúvida, e sua humanidade foi desconsiderada. Isso não é apenas inaceitável — é criminoso.
A Advocacia-Geral da União, por meio do advogado-geral Jorge Messias, agiu com a seriedade e presteza que o caso exige, determinando à Polícia Federal máxima urgência na investigação. A resposta firme do Estado é necessária, mas não suficiente. É preciso também que a sociedade civil, as universidades, os setores democráticos e todas as pessoas comprometidas com a equidade e a justiça se manifestem com vigor.
Por isso, em nome da Universidade Zumbi dos Palmares, instituição que há 20 anos trabalha para combater o racismo e promover inclusão no mais alto nível da educação brasileira, comunico que enviarei uma carta pessoal de apoio à ministra Vera Lúcia, entregue em mãos, reafirmando nossa solidariedade, nosso respeito e nossa disposição em estar ao seu lado nessa luta.
O Brasil do futuro — mais igual, mais justo e mais democrático — não se constrói com discursos vazios. Ele se constrói com atitudes firmes, com posicionamentos claros e com a coragem de enfrentar os mecanismos de exclusão que insistem em nos acompanhar.
Ministra Vera, não aceitaremos que sua dor passe em branco. A senhora não está sozinha.