Iniciativa reuniu autoridades e une formação, empreendedorismo e valorização cultural
Mais do que um estilo ou recurso estético, a trança afro carrega séculos de história. Em muitas culturas africanas, ela representa
O reconhecimento da profissão de trancista como atividade formal no país fortaleceu esse movimento e abriu caminho para que uma prática historicamente presente nas comunidades negras também seja valorizada como atividade econômica e oportunidade de empreendedorismo.
A partir dessa perspectiva, a Universidade Zumbi dos Palmares realizou, na noite da última quinta-feira (5), em sua sede em São Paulo, o lançamento do projeto Trançando Futuros, iniciativa voltada à formação profissional de mulheres na arte das tranças afro. A proposta é capacitar 5 mil novas trancistas ao longo de 2026, ampliando um trabalho que a instituição já vem desenvolvendo nos últimos anos na valorização da cultura afro-brasileira e na geração de renda para mulheres.
Durante o evento de lançamento, foi apresentado o primeiro ciclo da iniciativa. O projeto prevê a formação de mil trancistas com apoio do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. As participantes terão o curso integralmente financiado, com transporte garantido, kit profissional para iniciar na atividade e orientação para abertura de microempreendedor individual (MEI), criando condições concretas para empreender e gerar renda.
As aulas do primeiro ciclo têm início no dia 9 de março, marcando o começo das atividades formativas do programa.
Paralelamente, a própria Universidade Zumbi dos Palmares formará outras 4 mil mulheres ao longo deste ano, ampliando uma iniciativa que já vem sendo desenvolvida pela instituição e que conecta formação profissional, valorização cultural e autonomia econômica.
A formação contará ainda com a participação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que contribuirá com conteúdos voltados à gestão, administração e organização do trabalho, conhecimentos importantes para quem pretende transformar a técnica em atividade profissional e empreendimento.
Para o reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente, a iniciativa vai além da formação técnica. “Mais do que ensinar uma técnica, queremos abrir caminhos reais de autonomia econômica”, afirma. Em um país ainda marcado por desigualdades e pelo crescimento de casos de violência contra a mulher, a independência financeira muitas vezes representa um passo decisivo para que mulheres possam romper ciclos de vulnerabilidade.
Com a nova etapa anunciada, a expectativa é que 10 mil mulheres estejam formadas na profissão de trancista até o final de 2026, considerando as participantes já capacitadas pela universidade nos últimos anos e as novas alunas que ingressarão no programa ao longo deste período.
Durante o evento também foi firmada uma parceria para levar 500 vagas do curso para a cidade de Campinas, ampliando o alcance da iniciativa e fortalecendo políticas de geração de renda e empreendedorismo feminino.
A mesa de honra do evento foi composta pelo reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente; pelo secretário nacional da Microempresa, Maurício Juvenal; pela reitora da Universidade Federal de São Paulo, Raiane Assumpção; pela diretora executiva da Universidade Zumbi dos Palmares, Tatiane Couto; pela diretora da Unibella, Alessandra Helena Vicente; e pela coordenadora da Unibella, Alessandra Sula. Também integraram a mesa a trancista professora Ana Lucia e a aluna trancista Maria Jussara, além de autoridades públicas como Alessandra Herrmann, secretária municipal de Políticas para as Mulheres de Campinas; Grazielle Coutinho, secretária adjunta da mesma pasta; e Marcelo Strama, diretor de Microempreendedor Individual, Autônomos e Cooperativismo no Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.
O projeto Trançando Futuros reforça o papel da Universidade Zumbi dos Palmares como espaço de formação, inclusão social e desenvolvimento de iniciativas que conectam educação, cultura e geração de oportunidades.

